Perkins Brailler – a história de uma das máquinas Braille mais usadas no mundo

Já falamos aqui no Blog sobre a história da escrita Braille e de seu criador, o francês Louis Braille. Contamos também, em outro texto, sobre as regletes – instrumentos desta escrita muito usados no início (e ainda hoje). E mostramos algumas histórias de usuários da máquina de escrever em Braille.

Hoje, então, vamos contar um pouco da Perkins Brailler, máquina tradicional fabricada pela primeira vez em 1951 e usada ainda hoje, no mundo inteiro.

Ela não é a primeira máquina com este formato (similar ao da datilográfica). O superintendente da Illinois School for the Blind (Escola para Cegos de Illinois), Frank H. Hall, inventou em 1892 a primeira máquina de escrever em Braille com tal formato, já que as anteriores tinham designs que não colaboravam com o lado prático ou funcional: algumas deixavam a folha inteira deitada, com o equipamento de relevo passando por cima dela; outras perfuravam rolos de fita de papel e eram grandes demais. E, por mais que não tenham sido aceitas como as mais funcionais, certamente foram pioneiras no processo de tornar a escrita Braille menos demorada.

De volta à criação de Hall, ela consistia de seis teclas frontais, cada uma correspondente a uma das células Braille. A máquina continha um carrinho onde se colocava uma folha por vez e assim se escrevia, ao pressionar – ao mesmo tempo – as teclas correspondentes à letra que se queria formar.

Então ela foi usada intensamente por muitos anos. Ainda assim, porém, não era considerada ideal. A Perkins School for the Blind (Escola Perkins para Pessas Cegas), fabricou várias máquinas similares à de Frank H Hall. Mas elas apresentavam problemas constantes. Eram feitas individualmente, então não eram consistentes uma com a outra; quebravam facilmente com a queda, eram barulhentas, caras e precisavam de reparos frequentes. Mas continuaram sendo usadas por muitos outros anos, na impossibilidade de uma solução melhor para os alunos.

E em 1941, após passar anos trabalhando sozinho em seu porão em Massachusetts, o inglês David Abraham criou o que é conhecida, ainda hoje, como a Perkins Brailler – ou a máquina de escrever em Braille da Perkins. Este modelo é fabricado, nos dias atuais, de acordo com as especificações originais. E é muito bem aceito.

O mais interessante é a maneira como David Abraham conheceu a Escola Perkins. Podemos chamar de acaso – se é que foi isso mesmo. Um artesão altamente qualificado, por causa da Grande Depressão ele precisou abrir mão de sua especialidade e aceitar qualquer emprego que lhe aparecesse. Ao realizar um trabalho na rua, ele notou a placa da Escola Perkins e entrou para pedir emprego. Foi aceito e começou a trabalhar como instrutor no departamento de Treinamento Manual. Foi então que seu talento chamou a atenção e chegou aos ouvidos do diretor da escola. Que, então, o convidou para criar uma máquina de escrever que atendesse a algumas especificações. Deu no que deu.

http://www.mwarnersales.com/warnersalesebay/photos/DSC15517.JPG

Hoje já existem outros modelos de máquinas Perkins: a Next Generation e a Smart Perkins (além da versão elétrica do modelo original). A Smart Perkins tem visor e saída de áudio, que mostram e falam cada letra que está sendo digitada, e é um grande passo à frente no ensino e no aprendizado do Braille.
O modelo tradicional se mantém como uma aquisição de enorme utilidade para pessoas que escrevem e leem em Braille. Há pessoas que têm uma mesma máquina desta há anos, e continuam com a escrita muito produtiva.

Até a próxima!

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