Música na prática para pessoas cegas – entrevista com o professor de música da Perkins

traduzido de : http://www.perkins.org/stories/magazine/qanda-making-music-at-perkins

por: KAREN SHIH

Uma conversa com Arnie Harris, que há 3 décadas é professor de música na Perkins School for the Blind. Neste entrevista publicada originalmente pela Perkins, ele conta sobre o que já ensinou e aprendeu nos últimos 30 anos

Arnie Harris QA

O professor de música Arnie Harris desenvolveu maneiras criativas de tornar instrumentos acessíveis aos alunos

Qual o seu método para ensinar música?
Eu nunca senti nenhuma diferença ao ensinar aqui ou nas outras escolas. Música é algo muito importante para estes alunos. Eles ouvem música o tempo todo. Para mim, é um estímulo intelectual, e acho que é o mesmo para eles. Eu ensino as músicas aos coros por hábito (memorização) e uso impressos em braille das letras como um reforço. Com instrumentos, que podem variar da flauta à bateria e à guitarra de cordas de aço – o desafio é onde colocar os dedos e mãos. Eu uso bastante o velcro para direcionar os alunos.

Porque é importante para os alunos da Perkins fazer parcerias com grupos de fora?
Música é tocar com outras pessoas. Nossos coros e orquestras têm colaborações ativas e longas com muitos grupos locais de adultos, que participam de concertos com a Cambridge Symphony Orchestra; com a Chorus Pro Musica; Emmanuel Music; Vocal Revolution e o grupo Revels. É uma ótima experiência para nossos alunos tocarem com todos estes músicos diferentes e excelentes. Eu também levo nosso coro de câmara a algum colégio local todos os anos. Nossos alunos estão o mesmo nível de habilidade dos alunos de colegial de escolas públicas, o que é ótimo para nossos alunos – e os alunos de lá.

O que você aprendeu com seus alunos no decorrer dos anos?
Eu tinha um aluno que queria tocar violino mas suas mãos não conseguiam fazer isso. Ele voltou sozinho um dia e disse: “Eu gostaria de tocar o QChord” (sistema eletrônico que reproduz sons de instrumentos de cordas, com ritmos pré-estabelecidos a selecionar e outras funções). Eu nunca tinha ouvido falar disso! Ele mesmo comprou e trouxe um. Tem botões e você pode tocar junto com um trackpad, o que proporciona a alunos que não conseguem manipular cordas uma chance para tocar estes instrumentos. Depois de um tempo, ele ainda queria tocar um violino. E sua mão direita podia empurrar as cordas para baixo e ele conseguia usar o arco com a mão esquerda (o oposto do uso tradicional), então que troquei a ordem das cordas. Agora ele está em nossa orquestra.

Qual a melhor parte de trabalhar na Perkins?
É um grande prazer ensinar música aqui. Além de ensinar todas estas pessoas talentosas e interessadas, trabalhar em colaboração com os outros professores no Secondary Program: Jennie O’Brien, Vera Dumova e John Buchanan, é a melhor parte. Para conseguirmos uma boa performance, precisamos do apoio de muitas pessoas: a administração, outros professores, famílias, pais e mães.

Obs.: Muitos músicos de reconhecimento nacional e mundial são pessoas com algum tipo de deficiência. É claro que nenhuma destas características pode impedir a manifestação artística. Neste texto do Blog Civiam, mencionamos alguns nomes muito reconhecidos na música com histórias admiráveis.

Publicado em Sem categoria | Com a tag , | Deixar um comentário

Ensinar crianças com dificuldades de aprendizado. Encontrar seu próprio som com o Skoog – Tecnologia Musical para Necessidades Especiais

traduzido de: http://skoogmusic.com/blog/teaching-music-special-needs-technology/

por Benjaman Schögler

Mike Scott é um músico freelancer e educador musical. O trabalho de Mike com o Skoog proporcionou a muitas crianças e jovens adultos acesso à criação musical. Neste texto, Mike fala sobre seu trabalho com o Skoog na Saltersgate School.

“Tendo passado a maior parte de 2015 trabalhando com alunos da Saltersgate School (na Escócia), usando uma combinação the Skoogs sem fio com iPads e conectados a um MacBook Pro, eu testemunhei uma enorme diferença com a atitude deles com relação à música e a como eles interagem com ela. A escola oferece suporte para crianças e jovens adultos com necessidades especiais. No início, os alunos pareciam incertos quanto ao Skoog e seus usos, mas com o tempo e uma série de planos de aprendizagem, todos passaram a usar o equipamento para criar sua própria música ou fazer uma apresentação junto com suas músicas escolhidas.

skoog-como-usar-musica-infantilOs alunos na Saltersgate vêm de uma vasta gama de experiências de vida e têm cada um seus próprios desafios para superar quando estão aprendendo um instrumento musical. Estes desafios incluem deficiências físicas e de aprendizado. Muitos alunos expressaram a vontade de aprender a tocar um instrumento musical mas também mostraram muita relutância a participar porque achavam muito difícil interagir com instrumentos convencionais ou pela dificuldade com a destreza ou com a concentração.

Após passar algum tempo conhecendo-os, e o que cada um queria adquirir desta experiência, eu percebei que estavam em dúvida quanto o que era o Skoog e estavam encarando isso mais como uma forma de “trabalho”, onde seguiriam alguma contagem, pressionariam os botões com as cores correspondentes e ficariam atentos para a próxima tarefa. O que eu queria que fizessem era que se conectassem com o Skoog como um instrumento. Que encontrassem seu som com o Skoog.

Estabeleci como objetivo tentar ao máximo que meus alunos realmente de conectassem com o Skoog como instrumento e que se envolvessem com os sons que estivessem criando e controlando. A maior parte dos planos de aprendizagem era ajudá-los a entender que com o Skoog havia a oportunidade de recriar quase qualquer som que eles quisessem. Uma das maneiras com as quais fiz isso foi que com uma turma todos nós escolheríamos um instrumento dentre a seleção que a sala tivesse e então eu pedia que eles tocassem algo com ele. Mesmo que fosse só um sopro em um apito, ou uma pancada em um instrumento de percussão. Então eu gravaria estes sons no Skoog e habilitaria um som diferente para cada botão. Fizemos isso usando o software OS X para Skoog.

Em seguida ele teriam que encontrar o mesmo instrumento no Skoog. Outra parte desta ideia de aula era gravar uma seleção de notas de algum instrumento e pedir para que eles tocassem um estilo correspondente junto comigo. Eu tocaria um pequeno padrão no instrumento e eles repetiriam no Skoog. Isso ofereceu a oportunidade de se tocar junto com outra pessoa usando o dispositivo.

Junto com uma variedade de aulas e atividades,  a atividade permitiu aos alunos da Saltersgate se conectarem com o Skoog e construírem autoconfiança suficiente para não só tocarem as próprias músicas, mas tocarem junto com as músicas que escolhessem nos instrumentos que escolhessem. Alguns alunos também formaram uma banda e com o Skoog tocaram a música ‘Smoke on the Water’, do Deep Purple, no concerto de final de ano.

Eu recomendo fortemente a escolas e outros centros educacionais a integração so Skoog a seus currículos. O sucesso que testemunhei in loco com os alunos foi enorme. Estou muito ansioso para continuar meu trabalho com eles e quero muito ver para onde a música vai levá-los agora.”

Publicado em Sem categoria | Com a tag | Deixar um comentário

Quando um videogame é mais que apenas diversão

traduzido de: http://inside.akronchildrens.org/2017/02/23/when-a-video-game-is-more-than-fun-games/  –  Matéria de 23/2/17
Por: Holly Pupino, Media Relations Specialist

IMG_7485_edited-800x451

Conforme Isabella Pirogowicz, de 7 anos, move um controle com sua mão, um macaco em animação proporcionalmente estica seu longo braço para estourar um balão. Isabella provavelmente pensa que ela está apenas se divertindo com um jogo de computador, mas na verdade há mais do que isso.

O jogo é terapêutico, e ajuda Isabella, que tem paralisia cerebral média, a expandir seu alcance de movimentos, chamados de supinação e pronação – que são críticos para se realizar atividades diárias como se alimentar independentemente, abrir portas e escrever.

A terapeuta ocupacional dela, Mary Beth Doerr, foi enviando feedbacks para a empresa que desenvolveu esta tecnologia baseada em movimento e rastreamento de cores. Além deste jogo, outros jogos foram criados especialmente para pessoas com autismo; traumatismo craniano; atraso de desenvolvimento e outras necessidades especiais.

IMG_7488_edited-796x800“É muito motivador para as crianças”, conta Mary Beth. “Elas não percebem que estão trabalhando habilidades e os jogos normalmente conseguem obter uma campo maior de movimentos delas do que outras abordagens mais tradicionais de terapia”.

Até agora, a Timocco, uma start-up Israelense que, nos Estados Unidos tem base em Akron, desenvolveu mais de 50 jogos para uso terapêutico.

Uma vez que o software tem base em web, ele pode ser usado basicamente em qualquer lugar onde você tenha uma webcam e um monitor. “Isso é bom porque assim podemos dar um plano para os pais e eles podem trabalhar em casa exatamente as mesmas habilidades que estamos trabalhando no hospital durante as sessões de terapia”, disse Mary Beth.

Isabella estava animada para continuar a “jogar” com seu amigo macaco de braço longo em sua casa em Lisbon, Ohio, e para continuar a aperfeiçoar suas habilidades até o próximo encontro com Mary Beth.

 

Publicado em Sem categoria | Com a tag , , , , , , | Deixar um comentário

Estes atletas conquistaram feitos incríveis – e tem um detalhe importante nisso

traduzido de: http://www.perkins.org/stories/blog/you-wont-believe-what-these-four-amazing-athletes-have-achieved

De escalada de montanha a patins de velocidade, eles estão reescrevendo as regras sobre o que é possível para atletas cegos

 Por Bill Winter

Em 2004, Erik Weihenmayer foi a primeira pessoa cega a alcançar o topo do Everest, a  montanha mais alta do mundo. Ele é um dos 4 excelentes atletas mostrados aqui que alcançaram o "impossível" nos esportes e atividades físicas. Mas há muito mais destes indivíduos inspiradores. (Foto de touchthetop.com)

Em 2004, Erik Weihenmayer foi a primeira pessoa cega a alcançar o topo do Everest, a montanha mais alta do mundo. Ele é um dos 4 excelentes atletas mostrados aqui que alcançaram o “impossível” nos esportes e atividades físicas. Mas existem muitos outros destes indivíduos inspiradores. (Foto de touchthetop.com)

Imagine ser cego – e escalar o monte Everest. Ou jogar no time de futebol americano da faculdade. Ou ganhar medalhas de ouro como um patinador de velocidade. Ou, então, jogar lances perfeitos de boliche…

Parece impossível? Não diga isso às quatro pessoas que você está prestes a conhecer. Para eles, “impossível” é apenas outro obstáculo que pode ser superado com talento, treinamento e tenacidade. E com cada nova conquista e medalha de ouro, estão reescrevendo as regras sobre o que é possível para atletas cegos.

Escalar a montanha mais alta do mundo

Mais de 280 pessoas morreram tentando alcançar o topo do Monte Everest – mas isso não assustou Erik Weihenmayer, que é cego. A visão de Weihenmayer começou a sumir quando ele era criança, por causa da retinosquinose juvenil, uma doença da retina. Ele continuou fisicamente ativo, inicialmente como um lutador no colegial e depois como um alpinista. Ele afiou suas técnicas de escalada, a sensibilidade de suas mãos e pés, e então começou a escalar montanhas. Em 2004, ele fez o que nenhuma pessoa cega havia feito antes – alcançou o cume do Everest, a montanha mais alta do mundo. Em 2005, Weihenmayer co-fundou a No Barriers USA, uma organização que encoraja pessoas com deficiência a levarem vidas ativas. E ele incorpora o lema de lá: “O que existe dentro de você é mais forte do que está no seu caminho!” – [em tradução literal].

Competir como patinador veloz

Você nem perceberia, ao vê-lo correr pelo ringue de gelo a mais de 48km/h, mas o patinador canadense Kevin Frost é cego e surdo. Frost perdeu a audição ainda garoto, e aos 27 anos soube que tem a síndrome de Usher tipo 2, o que causa gradual perda de audição e então da visão. Hoje ele tem apenas 9% da audição e menos de 3% da visão. Kevin teve de abrir mão de seu sonho de jogar pela NHL, mas depois escolheu a patinação de velocidade – que ele chama de “pura liberdade”. Durante as competições, Frost patina contando seus passos no ringue oval, e recebe informações de posicionamento de seu técnico por meio de um receptor sem fio em seu aparelho auditivo. Em 2015 ele ganhou dois ouros e uma prata no campeonato World Impaired Inclusive Short Track Championships, na Escócia. Quando não está patinando, Frost compete em torneios de golfe e corridas de bicicleta tandem.

Um arremesso perfeito de boliche

Boliche é difícil. Você precisa arremessar uma bola pesada por uma pista de madeira de 18 metros e tentar derrubar mais de 10 pinos teimosos. É por isso que é tão notável que Dale Davis, que é cego, tenha sido capaz de fazer um jogo perfeito – 12 strikes consecutivos – em 2008. Davis, que tinha 78 anos à época, usava a minúscula fatia de visão periférica de seu olho direito para alinhar cada arremesso. Ele era um jogador frequente antes de perder sua visão para a degeneração macular, então sabia como jogar a bola de maneira limpa e poderosa. Nesta noite em uma pista de boliche em Iowa (EUA), ele não pôde ver o resultado de seu arremesso final, mas ouviu a plateia aplaudindo assim que ele conquistou um perfeito 300. Mais notável ainda, a American Blind Bowling Association reporta que este foi o quarto jogo perfeito de um jogador de boliche cego nos últimos 60 anos.

Jogar na Divisão 1 no futebol americano da faculdade

Imagine vários homens de cerca de 135kg cada indo pra cima de você em um momento crucial de um jogo de futebol americano. Agora imagine que você é uma pessoa cega. Esta perspectiva não incomoda Jake Olson, um long-snapper no time da University of Southern California. “As pessoas ficam muito impressionadas com isso”, ele disse. Olson nasceu com retinoblastoma, uma forma rara de câncer no olho, e perdeu ambos os olhos aos 12 anos. Mas ele decidiu que queria jogar futebol americano, então escolheu uma posição onde a visão é menos essencial – long-snapper. Consistência é importante, então Olson praticou lançar a bola na mesma altura e distância todas as vezes. Ele jogou no time do colégio Orange Lutheran High School, na Califórinia, antes de ir para o USC. Hoje em dia ele faz parte do USC Trojan como long-snapper reserva. Seu objetivo é se tornar regular em gols de campo e pontos extras. Saiba mais nesta matéria da ESPN (em inglês).

Até a próxima!

 

 

 

 

Publicado em Sem categoria | Com a tag , | Deixar um comentário

Mais possibilidades no processo ensino-aprendizagem de alunos de Radiologia – entrevista com Ana Paula Azevedo, Docente Coordenadora do Curso Técnico em Radiologia do Senac Campinas

Simulador Phantom usado no Curso de Radiologia do Senac Campinas

Simulador Phantom usado no Curso de Radiologia do Senac Campinas

Há alguns meses a unidade Campinas do Senac adquiriu um novo recurso para os alunos de seu Curso de Radiologia. O simulador Phantom PH-2B chegou lá como a primeira unidade a ser usada no país. “As aulas ficaram mais atrativas e dinâmicas, e o processo de ensino-aprendizagem está garantido, visto que a prática educacional proporciona ao aluno mais contato com a realidade”. Quem conta é Ana Paula Azevedo, Tecnóloga em Radiologia, Especialista em Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, e Pedagoga. Ana Paula é Docente Coordenadora do Curso Técnico em Radiologia no Senac Campinas.

A diferença entre este Phantom e os modelos anteriores é que este é de corpo inteiro e possui os órgãos internos, além de estrutura óssea e outras possibilidades para diferentes aplicações na área educacional.

Previamente à disponibilização do recurso, o treinamento era feito com Phantoms segmentados (tórax, abdômen, mão, pé, joelho, crânio, membro inferior). Mas, conforme Ana Paula nos explica, estes não têm articulações e não oferecem situações reais para o aluno. Portanto a diferença é bem significativa: “Os alunos têm apresentado maior eficiência no trabalho com um Phantom de corpo inteiro, pois ele apresenta todos os movimentos e algumas dificuldades de um paciente real. Com isso o processo de ensino-aprendizagem tem sido enriquecedor e os alunos têm mostrado satisfação no trabalho desempenhado com o Phantom.”.

senaccampinasphantomA Radiologia é uma profissão chave na medicina diagnóstica, uma vez que o profissional que a exerce é responsável pela aquisição, processamento e manipulação de imagens de exames radiográficos de maneira a adquirir o máximo de precisão quanto a diagnósticos, e por fazê-lo com segurança; o que envolve o correto posicionamento do paciente, a  correta aplicação das normas de biossegurança e de proteção radiológica.

Que a tecnologia continue nos oferecendo cada vez mais possibilidades para a melhor qualidade de vida!

Nossos agradecimentos à Docente Ana Paula Azevedo por conversar conosco.

Até a próxima!

Publicado em Sem categoria | Com a tag | Deixar um comentário

Conheça Brandon, um grande fã dos Beatles – ele usa o Tobii Dynavox Compass

traduzido de: http://www.tobiidynavox.com/meet-brandon-beatle-fan-extraordinaire/ 

por Stephen Szak

O que seria uma segunda-feira comum em setembro se mostrou, para Brandon Rummel, ser um momento extraordinário de fama – na verdade. Um momento não. Na verdade, uma hora inteira. O convidado de 23 anos apresentou o programa de rádio “Off the Beatle Path” em uma estação de Austin, nos Estados Unidos. Brandon, junto com muitas pessoas que o conhecem e gostam dele, incluindo o criador/apresentador do programa, Rush Evans III, reviveu tudo isso quando o programa foi ao ar outra vez este mês. brandonrush-on-airRetransmissões em rádios comunitárias são raras, disse Cynthia McFarlin, coordenadora de desenvolvimento da rádio KOOP. “Este programa foi excepcional, então abrimos uma exceção.” Parte do que o torna assim é que Brandon faz seus anúncios por meio de um software Tobii Dynavox Compass no seu iPad, acertando o tom com uma suave a apropriado sotaque britânico – sua voz favorita dentre as disponíveis no aplicativo. Ele usa a tecnologia para enfrentar os desafios de fala que sua paralisia cerebral apresenta. Um distúrbio de deglutição relacionado dificulta com que ele transforme sílabas em palavras pronunciadas.

Leah Rummel diz que seu filho se sente confortável em usar sua própria voz com pessoas que o conhecem bem. Às vezes, porém, outras pessoas não conseguem entendê-lo tão bem quanto ele gostaria. Quanto mais longa for a conversa, mais difícil ela tende a ser. “Usamos todos os tipos de coisas no decorrer dos anos” para isso, ela disse. A Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) que Brandon usou por toda a sua juventude foram, a melhor das hipóteses, soluções parciais, às vezes muito pesadas para se carregar por aí ou muito complexos ao se compor mensagens fora do padrão. “Ele pensa mais rápido do que digita”, conta Leah Rummel. “Eu acho que às vezes ele se sente frustrado, mas ele continua tentando de todas as maneiras que pode.” Gesticular é a segunda natureza de Brandon e, quando ele está realmente emperrado, ele irá soletrar suas palavras.

A fonoaudióloga Lesli Bassford, (M.S., CCC-SLP), viu muita determinação em seu primeiro encontro com Brandon, quando ele tinha 5 anos de idade em um espaço de reabilitação pediátrica. Eles perderam contato por muitos anos, e então se reuniram coincidentemente quando Brandon entrou para o ensino médio. Ao mesmo tempo em que era o garoto amável que ela sempre conheceu, Brandon odiava seu dispositivo de CAA, que outra pessoa carregava para ele por questões de equilíbrio: “Era grande e chama a atenção para ele, então ele parou de usar”, explicou Bassford. Paralelamente às visitas dele à Creative Therapy Solutions, sua clínica, tablets e aplicativos iam ganhando mais popularidade. Como muitos de seus colegas, Brandon queria um iPad e quando o Compass foi lançado, ele se mostrou uma excelente resposta ao seus dilema comunicacional.

A Conexão Beatles

brandonnephew-weddingBrandon é normalmente um homem de poucas palavras que gosta de ir ao ponto rapidamente, conforme diz Bassford, então o foco de suas sessões atuais é falar frases completas por meio da tecnologia. O Compass é ótimo para Brandon por causa de sua portabilidade as também pela profundidade e organização da linguagem. Ele pode falar bastante, mesmo com pouco esforço. E a mãe de Brandon tem o Compass em um outro iPad então ela e as outras pessoas próximas a Brandon podem ajudá-lo a editar o conteúdo para diferentes situações do cotidiano. “Estamos sempre adicionando coisas ao aplicativo. Adicionamos coisas que ele vai quere dizer.” Ele levaram o Compass para suas férias na Inglaterra, por exemplo, para Brandon expressar-se claramente e facilmente com as pessoas que a família conheceu lá. Esta viagem foi completa com uma peregrinação a Liverpool, o berço dos Beatles. Brandon passou a gostar de tudo relacionado a eles desde seus 8 anos de idade, conta Leah Rummel, relembrando a primeira vez em que o ouviu, no pico de sua voz cantando “All You Need Is Love” junto com o CD que tocava no carro. Como uma ex-tecladista de uma banda, Leah ficou feliz em ver o amor de seu filho pelo lendário grupo. Isto lhe dá um motivo para interagir com o mundo. Brandon uma vez conheceu Ringo Starr após um show.

O destino que juntou Brandon e programa de rádio anos depois mostra o quão pequeno o mundo pode ser. Na época com 19 anos e no final de seus anos de colégio, Brandon queria ganhar a vida e viver independentemente. Família e amigos que queriam o mesmo para ele sabiam que ele precisava de uma ajudinha: “a little help”, então formaram uma rede para identificar contatos, recursos e oportunidades para apoiar o sonho dele. Durante uma sessão de brainstorming, o nome de Mr. Evans apareceu porque a mãe de Brandon conheceu a esposa dele por meio de um amigo em comum. Eles decidiram perguntar se Brandon poderia participar o programa semanal de Evans para observar, ouvir e ajudar nos bastidores. “No início”, disse Evans, “pensei que seria um compromisso que me impediria de fazer meu programa sozinho.”. Então eles criaram um laço. “Eu sinto falta quando ele não está lá”. continuou Rush Evans. “Ele enriquece minha vida.” Eles vão a shows juntos. Brandon é bom em achar informações necessárias para cada transmissão, como os nomes de gravadoras ou gêneros musicais, e frequentemente guarda esses fatos na memória.

O apresentador tem uma facilidade natural em captar qualquer coisa que Brandon diga ou comunique por linguagem corporal, como quando ele faz gestos de surfe para sugerir a possibilidade de fazerem um programa dedicado aos Beach Boys algum dia.

Os Beatles, lógico, continuam no topo da playlist pessoal de Brandon e o seu assunto de quebra-gelo favorito com pessoas que ainda não conhecia – muitas destas ouvintes do programa KOOP. Quando ele e Bassford programaram o software do Compass para o programa de rádio dedicado aos Beatles, ele informou os nomes das músicas e a música de fundo para sua narrativa ao vivo enquanto ela acertava para ter certeza de que tudo fluiria.

Como o seu mentor Mr. Evans, Brandon é voluntário na estação de rádio. Ele trabalha também entregando correspondência da Universidade do Texas e em uma empresa de equipamentos médicos. Ele adora o dia do pagamento. “Claro, é por isso que as pessoas vão trabalhar, né?”

 

Lar Doce Lar; Comunidade e Estilo de Vida

dscn1142-6195433_std

imagem de: http://wearethechorus.org

Brandon mora em Dripping Springs, perto de Austin, na casa de sua família. E sempre tem alguém lá para acompanhá-lo. Sua mãe e seu tio Jimmy têm casas no mesmo terreno. Outras pessoas que prestam assistência a ele conforme ele exerce suas atividades do dia a dia incluem a amiga da família Mary Buchanan, que também é sua treinadora de emprego e se autoproclama “segunda mãe” porque ela o conhece praticamente por toda a vida dele. Conforme Brandon integra o Tobii Dynavox Compass às suas atividades de casa e da comunidade, o dispositivo vem se tornando uma ferramenta para toda a equipe, não importa como está sendo o dia.

“As pessoas que cuidam dele acham a tecnologia muito útil”, conforme conta o colega de residência Nathan VanNostrand, 22. E eu também acho.

“Uma das coisas nas quais estamos trabalhando é que ele nos avise quando algo não está bem”, explica a mãe de Brandon. O sucesso do qual ele está desfrutando na transição para a vida adulta tem muito a ver com sua rede de cuidados e suporte, carinhosamente chamada de “The Cavern Club”, assim como o a boate em Liverpool onde os Beatles tocavam antes de se tornarem famosos e muito antes de Brandon nascer.

A rede de encontra a cada duas semanas para ajudar Brandon a resolver problemas, fazer planos e fazer seus sonhos se tornarem realidade. Ele os atualiza, usando o Compass para informar detalhes sobre seu trabalho, situação de moradia e o que ele faz para se divertir. Raramente ele e Nathan perdem uma premiação musical que passa na TV. E Brandon é um membro ativo do We Are the Chorus, um programa de música para adultos com deficiência. Às sextas-feiras ele participa de um grupo social que sua mão criou, para adultos com necessidades especiais.

imagem de: http://leahandbrandonblog.blogspot.com.br

imagem de: http://leahandbrandonblog.blogspot.com

“Não é comum ouvirmos falar de pessoas morando sozinhas que tenham tantas necessidades quanto Brandon, mas ele faz tudo funcionar”, conta Bassford. De todos os seus grandes recursos, o amor incondicional de sua mãe e a vontade dela de fazer as coisas acontecerem são os mais especiais. Conheça o blod deles: The Brandon and Leah Blog [em inglês] e este vídeo [em inglês] https://youtu.be/zfUDCvfmM1I , onde podemos saber das experiências dele contadas em primeira pessoa.

Temos orgulho de termos acatado a sugestão de Leah Rummel de contatar o irmão mais velho de Brandon, Patrick Bradshaw, em Colorado Springs, para saber da história dele. Com 12 anos de diferença de idade e muitas milhas de distância, os dois são muito próximos. Toda a família se orgulha do verão em que Patrick ensinou Brandon – que na época usava uma cadeira de rodas – a andar sozinho; aos 4 anos de idade. Eles ficaram emocionados com o brinde feito por Brandon com o uso do Compass no jantar de ensaio de casamento de Patrick. Que adora o que a tecnologia proporciona ao irmão no dia a dia.

“É muito legal ver alguém que não pode falar com a voz colocando seus pensamentos para fora”, ele disse. “É muito fácil perguntar algo que só precisa de ‘sim’ ou ‘não’ como resposta. Esse dispositivo é bom porque permite com que a pessoa se envolva além disso.”

Ou seja: Brandon amplificou o sentido do brinde de casamento ao finalizá-lo com uma menção aos Beatles:

“And remember, all you need is love!”

 

 

Publicado em Sem categoria | Com a tag , , , , | Deixar um comentário

Na Balada – por Ana Lucia Barros

pastedImage 2Gosto muito de passear e cair na gandaia.  Sou super fã do Fábio Jr, e vê-lo cantar sempre foi emocionante. Mas não é só isso. Também gosto de ir para outros  lugares. Vou para os barezinhos que nem sempre são adaptados, e nem por isso deixo de contemplar a lua e as estrelas e também os “gatos”. As ruas não são nada adaptadas e até já  caí no chão, depois de ter tomado umas. Uma lei foi aprovada e as calçadas ficaram um pouco melhores para andar com a cadeira de rodas, trazendo melhor qualidade de vida. Fui numa balada que tinha uma roleta na entrada, mas tiraram a roleta para eu entrar, foi a maior dificuldade. Teve um barzinho com show ao vivo onde as mesas ficavam muito juntas e eu só conseguia passar depois de pedir o favor de dar licença, e ainda eu escutava as pessoas reclamando da minha cadeira de rodas e aí eu ficava mais tensa, com mais movimentos involuntários e quebrava alguns copos.  É uma situação engraçada mas me deixa constrangida.
Aguardem outras histórias…

Ana Lucia é escritora, repórter e artista. Está prestes a lançar seu quinto livro. Foi diagnosticada com paralisia cerebral aos 6 meses de idade. Se comunica por meio de um computador acionado por rastreamento ocular.
Saiba mais sobre Ana nesta entrevista

 

Publicado em Sem categoria | Com a tag , , , , , , | Deixar um comentário

Timocco: Usos de Terapia da Fala para TEA (Transtorno do Espectro Autista) – Comunicação e Interação

traduzido de: http://www.timocco.com/speech-therapy-applications-for-asd-communication-interaction/

por: Jayne Malloy 

tim1Nossa equipe tem experiência em trabalhar com crianças com autismo e nós entendemos o objetivo implícito que acompanha qualquer disciplina de terapia quando se está trabalhando com crianças com TEA – aprofundar habilidades de comunicação e interação. Muitos terapeutas hesitam em usar o computador na terapia. No entanto, a realidade virtual de brincadeiras que o Timocco proporciona pode ser experienciada como uma zona de segurança para crianças no espectro autista e pode, assim, promover uma plataforma a partir da qual as crianças podem praticar a comunicação e a interação com mais vontade e de maneira mais efetiva.

Quando estiver usando o Timocco em terapia, muitas oportunidades podem ser utilizadas para encorajar o desenvolvimento de tais habilidades. Por exemplo:

Atenção Conjunta: Jogar junto com outra pessoa: um adulto ou um colega, proporcionando uma oportunidade de encorajar relacionamentos significativos em uma atividade compartilhada enquanto também se trabalha a consciência corporal, a divisão de espaço e saber esperar por sua vez.

cropFazer Escolhas: Deixar a criança escolher o controle e a cor, identificando o balão que precisa ser estourado; selecionar o jogo (o uso do recurso de imagem como parte de uma programa PECS (Picture Exchange Communication System) também é uma opção.

Linguagem Receptiva: Apesar de o Timocco ter sido criado para ser altamente intuitivo, a introdução de novos jogos e configurações pode proporcionar oportunidades de se praticar a compreensão de simples instruções de adultos para que a criança entenda os requisitos de jogo.

 

Publicado em Sem categoria | Com a tag , , , , | Deixar um comentário

O menino Rafael e os recursos de Tecnologia Assistiva que ele usa para otimizar seu cotidiano

Rafael é um garoto que de 18 anos que mora no Rio Grande do Sul. No texto abaixo, as profissionais Michelle Apellanis Borges, fonoaudióloga; e Aline Meirelles Marques, terapeuta ocupacional – contam um pouco mais sobre a história dele e sobre os recursos de tecnologia assistiva que Rafael tem usado para otimizar suas atividades e comunicação:

img_3047“Rafael Lima da Silva, 18 anos, é um garoto de São Jerônimo [RS] com Paralisia Cerebral que veio para Casa do Menino Jesus de Praga aos seis anos de idade. Antes de entrar na instituição, Rafael se comunicava com o olhar e as expressões faciais. Quando entrou na casa, iniciou atendimento terapêutico, utilizando pranchas de comunicação de baixo custo, passando para o GoTalk e logo sendo introduzido o computador. O menino frequenta o oitavo ano do ensino fundamental na Escola Municipal Deputado Marcírio Goulart Loureiro e o computador permite com que o menino acompanhe os conteúdos e tenha em arquivos todos seus cadernos de aula.

Atualmente comunica-se através de notebook com o software Boardmaker e utiliza o mouse Trackball em cadeira de rodas adaptada. Está em transição para a cadeira de rodas motorizada e em treinamento com Tobii C12.

Rafael tem seu time do coração, o Internacional, é apaixonado por futebol, circo e músicas. dsc03616 Seu sonho é ser “DJ de Circo”. É muito carismático e comunicativo, apesar de suas dificuldades. Tem muitos amigos da escola e também por meio de redes sociais.

Em atendimento conjunto semanalmente, com fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, está sendo adaptada a nova tecnologia de rastreamento ocular Tobii Dynavox para Rafael utilizar em sua cadeira. Ele está utilizando o touch + o rastreamento ocular e também o mouse Track Ball acoplado no equipamento. Já no seu primeiro contato com o aparelho, o menino já o explorou adequadamente. Espera-se que o equipamento facilite sua comunicação, otimizando o tempo durante as atividades escolares.”

Nossos agradecimentos a Michelle e Aline, e toda a equipe da Casa do Menino.
Até a próxima!

Publicado em Sem categoria | Com a tag | Deixar um comentário

O Ensino de Matemática para Pessoas com Deficiência Visual Tem Feito Muitas Adições    

Matemática sempre foi ensinada na Perkins, mas as ferramentas e técnicas evoluiram ao longo do século

traduzido de: http://www.perkins.org/stories/blog/adding-it-up

Por: Jamie Gordon

Samuel Gridley Howe, o primeiro diretor da Perkins School for the Blind, acreditava que crianças cegas deveriam ter oferecidas as mesmas oportunidades educacionais que seus colegas sem esta condição – incluindo o aprendizado de matemática.

Em adição a aprender a ler, escrever e soletrar, os alunos de Howe também estudavam aritmética, matemática, álgebra e geometria. No relatório anual de 1835 da escola, administradores da Perkins notaram que “muitos alunos estão avançando no conhecimento da geometria; que a álgebra já era familiar para muitos, e que a aritmética, para a maioria”. Mesmo que muitas pessoas cegas dependessem – e ainda dependam – da aritmética e matemática mentais, assim como em outras áreas, é necessário o desenvolvimento de ferramentas táteis de ensino. Nicholas Saunderson (1682-1739) foi um matemático inglês que perdeu sua visão ainda criança; e estima-se que ele inventou o primeiro dispositivo de cálculos para pessoas cegas – um tabuleiro aritmético. Isto permitia aos alunos fazer cálculos ao posicionar os pinos em uma superfície esculpida que se assimilava a um tabuleiro de cribbage.

O ensino de matemática na Perkins evoluiu desde os anos 1850, quando os alunos usavam tabuleiros de madeira

O ensino de matemática na Perkins evoluiu desde os anos 1850, quando os alunos usavam tabuleiros de madeira

Durante os séculos 18 e 19, quadros e grades de contagem aritméticos existiam em diversas variações. Os quadros frequentemente tinham contadores removíveis com números em relevo ou símbolos nas pontas. Os estudantes podiam posicionar os contadores para mostrar valores e para adicionar, subtrair ou multiplicar.

Os alunos também usavam ábacos de madeira tradicionais para fazer cálculos, mas isso por vezes era desafiador porque o movimento mais suave poderia deslocar as contas. Terrence V. Cranmer, que era cego, resolveu o problema nos anos 60 com o Ábaco Cranmer, que tinha a parte interior forrada com feltro, o que estabilizava as contas. Esta inovação fez com que o ábaco pudesse ser movido ou reservado no meio dos cálculos.

Conforme o braille ia tendo cada vez aceitação, quadros em braille e máquinas de escrever se tornavam ferramentas populares e úteis para o ensino da matemática. Mesmo que eles geralmente consumissem mais tempo e fossem mais complicados do que uma simples grade de cálculos, as máquinas em braille tinham a vantagem de emular a maneira com a qual pessoas videntes fazem cálculos aritméticos. Quando a Perkins Brailler foi lançada, em 1951, o Dr. Edward Waterhouse, o quinto diretor da escola e professor de matemática, notou que alguns dos “componentes mais populares” da máquina foram incluídos “para a conveniência dos pupilos da matemática”. De fato, muitos dos mesmos componentes que fizeram da Brailler tão popular para a escrita – como a facilidade de uso e a habilidade de recolocar o papel para digitar mais – também a tornaram conveniente para a matemática.

Outro grande marco matemático foi a introdução do ‘Nemeth Code for Mathematics and Science Notation’, que foi adotado em 1956 pelo Braille Authority dos Estados Unidos. Desenvolvido por Abraham Nemeth, o código usava o mesmo alfabeto como Braille Padrão em Língua Inglesa, mas determinava a muitas células em braille significados diferentes enquanto símbolos matemáticos. Isso permitia aos estudantes transcreverem e realizarem equações complexas. Hoje em dia, os professores e a equipe da Perkins usam uma variedade de ferramentas para ensinarem matemática na sala de aula. A Perkins Brailler e o ábaco de Cranmer ainda são usados mas, ao mesmo tempo, os professores aderiram a novas tecnologias para transmitirem conceitos básicos e avançados de matemática.

Por exemplo: os alunos do Perkins’ Secondary Program podem usar blocos de gráfico táteis para equações complexas e funções de representação gráfica. Quando precisam criar eixos X-Y e determinarem um ponto, os estudantes podem desenhar no filme tátil, fazendo com que apareça uma linha em relevo. Pode-se também usar aplicativos de iPad para treinar aritmética básica.

Seja qual for a ferramenta, a Perkins continua a desenvolver caminhos inovadores para ajudar alunos com deficiência visual a conectar os pontos – e adicioná-los!

Este post incorpora pesquisa e linguagem de Betsy McGinnity, Jan Seymour-Ford e K.J. Andries.
Publicado em Sem categoria | Com a tag | Deixar um comentário